Os pacientes que fazem pesquisas na Internet para aprender sobre a lipoaspiração vão encontrar geralmente dados "muito pobres", aponta um estudo publicado no Plastic and Reconstructive Surgery-Global Open®, revista da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS).
 
“As áreas mais críticas incluem a falta de informação sobre os possíveis riscos da lipoaspiração, bem como a baixa qualidade das informações apresentadas pelos sites dos cirurgiões plásticos, defende um estudo de Adrian Fernando Palma, do Hospital Universitário de Zurique, na Suíça”, afirma o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada (CRM-SP 62.735).
 
Chamada para informações on-line de melhor qualidade
 
Utilizando motores de busca populares na web, os pesquisadores identificaram 245 sites que fornecem informações sobre lipoaspiração (excluindo os duplicados e sites irrelevantes). Os sites foram avaliados usando uma ferramenta denominada EQIP -Ensuring Quality Information for Patients - que fornece uma avaliação padronizada da qualidade e da integridade das informações sobre saúde na Internet.
 
Os resultados apontaram "deficiências substanciais" das informações on-line sobre lipoaspiração. Apenas cerca de 30% dos sites obtiveram "pontuações altas" no EQIP, atingindo pelo menos 18 dos 36 pontos possíveis. A pontuação média foi de 16 dos 36 pontos possíveis, com uma gama de 8 a 29 pontos.
 
Quase dois terços dos sites analisados foram desenvolvidos por cirurgiões plásticos e oferecem serviços de lipoaspiração. Mas a qualidade da informação ofertada foi classificada como baixa em mais de três quartos dos sites desenvolvidos por cirurgiões plásticos.
 
Em oposição, outros tipos de sites – incluindo os desenvolvidos por sociedades profissionais (tais como a ASPS), portais, grupos de pacientes, departamentos de saúde e centros acadêmicos – obtiveram pontuação mais elevada para a qualidade da informação disponível sobre a lipoaspiração.
 
Poucos sites forneceram informações sobre complicações associadas à lipoaspiração. Surpreendentemente, a maioria dos sites desenvolvidos por cirurgiões plásticos não mencionou qualquer um dos riscos potenciais.
 
Informações sobre os riscos são especialmente importantes, dado o grande número de pacientes submetidos à lipoaspiração. De acordo com estatísticas da ASPS, mais de 222.000 procedimentos de lipoaspiração cosméticos foram realizados, em 2015, um aumento de 5% em relação ao ano anterior. A lipoaspiração é agora o segundo procedimento de cirurgia plástica mais freqüentemente realizado nos Estados Unidos.
 
Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) mostram que os procedimentos mais realizados atualmente no país são: lipoaspiração, implante mamário de silicone e procedimentos na face, como o lifting e a ritidoplastia.
 
“De acordo com os resultados do estudo, a qualidade geral das informações sobre a lipoaspiração para os pacientes é muito pobre. A baixa qualidade dos sites de cirurgia plástica é preocupante. Mesmo os sites de maior pontuação têm limitações significativas”, defende o autor, Dr. Palma.
 
Segundo os autores do estudo, informações de mais qualidade são necessárias especialmente em termos de esclarecimento do procedimento cirúrgico, dos benefícios qualitativos e quantitativos, dos riscos para o paciente, como complicações são tratadas e que precauções os pacientes podem tomar.
 
Para Ruben Penteado, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, “o estudo levanta questões relevantes para a reflexão dos cirurgiões plásticos. A questão não é mais disponibilizar a informação, mas definir a credibilidade do autor e a relevância do que está disponível na Internet.  Várias organizações sugerem normas e princípios nesse sentido como, por exemplo, a Health on the Net Foundation, a Internet Healthcare Coalition e o Journal of Medical Internet Research, dentre outros, que congregam entre seus pares profissionais da área de medicina, informática, farmácia, dentre outros. No Brasil, o tema segue as diretrizes e os princípios do Conselho Federal de Medicina e dos Conselhos Regionais de Medicina, sob risco do profissional médico incorrer em infração ao Código de Ética Médica”, diz.
 

Fonte: Márcia Wirth - Consultoria de Comunicação & Marketing em Saúde


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