Tem pelo menos 15 anos que Jacqueline se dedica ao exercício de ensinar. Professora, primeiro do Sesc, depois do Oswaldo Cruz, há cinco anos ela dá aulas em Ceinfs da Capital. Nesse tempo, ela percebeu que as crianças que chegavam pelos portões tinham uma carência que ia além do ensino. 
 
Foi trabalhando na Educação Infantil que Jacque - como se apresenta a nós e aos aluninhos - se apaixonou, de vez, pela profissão e soube narrar isso em um conto de fadas.
 
"A gente tem muito a aprender com aquelas crianças. Elas são carentes, muito inocentes e assim a gente vai amando a profissão", comenta Jacqueline Vascão Ferreira, de 40 anos, ou melhor Chapeuzinho Vermelho.
 
 
Na vida de professora no Ceinf do bairro Santa Carmélia, em Campo Grande, ela vê o quanto as mães não têm tempo de ficar com os filhos e como eles criam uma carência, tanto de história como de carinho e de vida.
 
"A gente procura transmitir isso para eles. O ensinar e o cuidar é tudo uma coisa só", explica. E nesta busca que Jacque passou a se vestir, cada dia de um jeito. Claro que não é diariamente, mas todo início de ano, Carnaval e datas comemorativas, como Dia das Crianças.
 
"Ontem eu fui com uma saia toda colorida e eles ficam assim, sem saber o que fazer. Se abraça, se beija, se pergunta", descreve a professora. E ela aproveita a curiosidade despertada para ensinar.
 
"Eu levo histórias, levo meu notebook, baixo ali para eles e mostro. Muitas vezes a gente explica que não é uma realidade, porém existem roupas que a gente pode comprar e se fantasiar", conta.
 
De Chapeuzinho Vermelho, ela levava balinhas na cestinha e ao atravessar a rua, já chamava atenção dos motoristas.
 
Pela manhã, ela fica em sala de aula com crianças de 2 e 3 anos e à tarde, entre 4 e 5. "O Ceinf todo me conhece", brinca.
 
E todo mundo também espera para ver como Jacque estará vestida. "Gera ansiedade sim, eles ficam assim, olhando... E isso me traz realização. Eu sinto que plantei uma sementinha", exemplifica.
 
Semente esta que ela até já viu florescer. Dia desses, passeando pela cidade, encontrou mãe e um aluno já prestes a terminar a faculdade.
 
"A mãe chegou e me falou: 'ele é seu fruto'. Eu me sinto assim, importante na vida e no crescimento daquela criança. Elas não me esquecem e o mais imporante, não fica só naquilo massacrante de ensinar no papel. É viver o lúdico e para a criança, é aquilo que vai ficar", resume Chapeuzinho. 

Fonte: Campo Grande News


Deixe seu comentário