As ações para fomentar o desenvolvimento sustentável em Mato Grosso do Sul, por meio da disseminação de boas práticas ambientais e o investimento em pesquisa e tecnologia no campo e na cidade, são algumas das contribuições do governo do Estado para que cenários extremos relacionados às mudanças climáticas não se tornem realidade nas próximas décadas.
 
Essa é a análise do secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck,  após o seminário “Indicadores de Vulnerabilidade à Mudança do Clima”, realizado na manhã desta quarta-feira (30) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No evento foi apresentado o resultado da pesquisa ligada ao projeto “Vulnerabilidade à Mudança do Clima”, iniciativa da Fiocruz em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. De acordo com o estudo, em alguns municípios do estado, a temperatura poderá aumentar até 5,8°C no período de 2041 a 2070 e o Pantanal pode ser o bioma mais afetado pela mudança do clima no Estado.
 
Na avaliação do secretário Jaime Verruck, “o que nos foi apresentado hoje é o cenário mais extremo possível, baseado em referenciais internacionais, mas é preciso que se leve em consideração os esforços que as autoridades mundiais, nacionais e locais estão fazendo para que não cheguemos a esse ponto, com ações de mitigação e adequação. No âmbito do governo do Estado, estamos totalmente alinhados e compromissados com as metas brasileiras estabelecidas no Acordo de Paris, na COP-21 e já referendadas pelo governo federal”.
 
Durante a coletiva de imprensa realizada momentos antes da realização do seminário, Jaime Verruck lembrou que o governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico (Semade) e do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) coordena um grupo técnico interinstitucional que já está trabalhando no aprimoramento e implementação da Lei Estadual de Mudanças Climáticas. Esse trabalho é ligado ao Proclima (Programa Estadual de Mudanças Climáticas) elaborado pela Semade.
 
“O Proclima envolve uma série de ações e compromissos do Estado para mitigar as emissões de gases causadores de efeito estufa. Uma dessas ações é o Terra Boa, que vai recuperar 2 milhões de hectares de áreas degradadas em Mato Grosso do Sul, 13% dos 15 milhões que o Brasil se comprometeu na COP 21. Nesse sentido, o resultado da pesquisa da Fiocruz e do MMA é fundamental para nos auxiliar a nortear e adaptar nossas ações para atingirmos nossa meta, que é tornar Mato Grosso do Sul o primeiro Estado Carbono Neutro do país. O governo do Estado está fazendo a sua parte e entendemos que o restante do Brasil e outros países também têm suas responsabilidades”, finalizou o secretário Jaime Verruck.
 
Cenários extremos
 
Segundo a pesquisa, a porção norte de Mato Grosso do Sul poderá apresentar um aumento de até 5,8°C graus na temperatura e uma redução de até 19% no volume de chuvas nos próximos 25 anos. Já a porção sul do Estado poderá ser a mais afetada em relação ao número de dias secos consecutivos no ano, índice chamado de CDD. Na cidade de Japorã, por exemplo, o aumento no número de dias seguidos sem chuva poderá chegar a 12,6%, seguida por Sete Quedas (12,2%) e Tacuru (11,5%).
Em relação à temperatura máxima, Corguinho poderá ter um incremento de até 5,8°C para os próximos 25 anos. Os municípios da porção norte serão os mais afetados, assim como algumas cidades localizadas na parte leste do estado. Em Paranaíba e Aparecida do Taboado o aumento pode chegar a 5,7°C para o período de 2041 a 2070. O Alto do Taquari pode ser uma das regiões mais impactadas pela redução do volume de chuvas. Em Coxim e Rio Verde do Mato Grosso, por exemplo, a precipitação poderá diminuir 19,3%. Na parte leste do estado, a pluviosidade pode reduzir até 17,6%, como é o caso do município de Selvíria.
 
Campo Grande apresenta uma elevação de 5,4°C na temperatura e uma redução de 8,3% na precipitação. Em relação ao número de dias seguidos sem chuva, a capital pode ter uma diminuição de 5,4%.
 
As mudanças do clima também podem provocar transformações em fenômenos naturais recorrentes no Pantanal, como o período das cheias dos rios. Por causa das alterações no volume de chuvas e elevação da temperatura, podem ocorrer eventos extremos, como secas e alagamentos. Estes fenômenos climáticos poderiam impactar no Pantanal, a perda do potencial de pesca e, em outras partes do estado, a redução da produção agrícola, afetando diretamente a segurança alimentar das populações que vivem nessa região. Outro impacto que pode ser apontado nesse cenário futuro é o aumento de doenças, devido à proliferação de vetores.
De acordo com o coordenador do projeto “Vulnerabilidade à Mudança do Clima”, Ulisses Confalonieri, a pesquisa utilizou os cenários mais extremos do INPE no que se refere às projeções sobre temperatura e redução de volume de chuvas, “para alertar a população e as autoridades quanto à importância do debate sobre as mudanças climáticas”. Ele lembrou que o banco de dados com todas as informações, juntamente com o software desenvolvido para o levantamento dos indicadores serão entregues aos gestores públicos dos seis estados envolvidos no projeto (Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Paraná e Pernambuco e Mato Grosso do Sul) para serem utilizados como ferramenta de planejamento das políticas públicas para o setor.
Além do secretário Jaime Verruck, o seminário contou com a presença de representante do Ministério do Meio Ambiente, do coordenador estadual de Vigilância em Saúde Ambiental, Karyston Adriel, da diretora de Desenvolvimento do Imasul, Thaís de Azambuja Caramori, da gerente de Desenvolvimento e Modernização, Eliane Ribeiro e técnicos do Instituto. Os resultados apurados na pesquisa foram apresentados pela bióloga da Fiocruz Isabela de Brito Ferreira, que fez a coleta dos dados em Mato Grosso do Sul.

Fonte: Notícias MS


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