“Por que você fugiu de mim?”.  Com essa pergunta, pronunciada em meio a lágrimas e um forte abraço, Ramon Soria Ricalde, 76, proporcionou, recentemente, um dos momentos mais emocionantes no âmbito das relações humanas, em Aquidauana, ao reencontrar sua irmã, Suzana Ricalde, de 75, da qual se separara quando eram pré adolescentes na cidade de Concepcion, no Paraguai.

De uma família de onze irmãos – seis mulheres e cinco homens , dos quais apenas sete encontram-se vivos, Suzana deixou o país vizinho aos 12 anos de idade, acompanhando uma tia. Estabeleceu-se primeiramente em Porto Murtinho. De lá migrou para Aquidauana, onde viveu nas últimas décadas. Aqui casou-se quando tinha apenas 16 anos, teve filhos, netos, mas nunca conseguiu esquecer da família que deixara no Paraguai.

Ramon também deixou Concepcion. Chegou a morar dois anos em Porto Murtinho, residindo numa Pensão de nome Aguero, pois sua esposa trabalhava para a família dona do empreendimento. Teve uma passagem por Ponta Porã e voltou à sua terra. Esteve em Aquidauana, no ano de 1966, onde a esposa viera fazer um curso. Intuindo que a irmã poderia estar na região – e estava - chegou a colocar um anúncio no programa “A Hora do Fazendeiro”, na Rádio Difusora, que tinha grande repercussão em todo o Estado e fora dele. Nesta época eles já estavam separados por 13 anos. 

Sessenta e quatro anos se passaram. Até que uma busca de dois meses, iniciada no final de 2016, nas redes sociais, coordenada por Renata Amarilio Gimenez, casada com um dos netos de Dona Suzana, mostrou indícios positivos. Antes, outros já tinham tentado, dos dois lados.  A pesquisa da jovem aquidauanaense, de 27 anos, incorporou dezenas de pessoas residentes no Paraguai, com o mesmo sobrenome. Até que uma conta no facebook, criada por um dos filhos  de Seo Ramon, estabeleceu a conexão tão esperada.

O reencontro

Um momento tão aguardado como o reencontro dos dois irmãos, não poderia acontecer de forma abrupta. Desde que ficou evidente que a busca de Renata fora bem sucedida, começaram os primeiros contatos. Trocas de fotos, contatos verbais e até as primeiras imagens foram trocados, facilitados por uma avanço que eles nunca imaginariam que seria possível, há 64 anos atrás, quando o meio de comunicação mais comum eram cartas manuscritas, que demoravam dias, semanas e até meses para chegar ao destino.

O reencontro, no último sábado, foi marcado por emoções inenarráveis. Depois dos afetos inevitáveis, a prosa começou a ser colocada em dia. Entre os detalhes mais tristes, a informação de que Dona Suzana não poderá reencontrar sua mãe, um dos desejos maiores nesses anos de espera. Ela já faleceu. A boa nova, só superada pelo fim da apreensão, é que todos os familiares devem fazer uma grande festa, em breve, em Assuncion, onde grande parte reside.
 
 

Fonte: Da Redação de O PANTANEIRO


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